Grupo leva às famílias de Sacra Família mensagens de boas novas, fé e agradecimento por mais um ano
A união de fé, tradição e amor atravessando gerações se consolida mais uma vez este ano com as apresentações da Caravana dos Santos Reis. A manifestação de solidariedade, religiosidade e cuidado com o outro acontece entre os dias 1º e 6 de janeiro pelas ruas de Morro Azul e de Sacra Família do Tinguá, em Engenheiro Paulo de Frontin.
Por seis dias, a Caravana visitou cerca de duas famílias por noite para celebrar o nascimento de Jesus e pedir proteção no novo ano, tudo com apresentação de cânticos religiosos acompanhados por sanfona, cordas, bandolim, cavaquinho, violão, percussão, caixa e pandeiro.
A reunião, embalada de energia de solidariedade, se torna uma confraternização e agradecimento ao ano que encerrou e comemoração às boas novas do novo ano. A magia da Caravana dos Santos Reis não é de agora. A história começou a ser inscrita por volta de 1930.
Na ocasião, a humanidade enfrentou dois grandes desafios: a epidemia provocada pela gripe ‘espanhola’ e os reflexos da Primeira Guerra Mundial, provocando perdas de inúmeras vidas pelo mundo afora e na região, é claro.
Por conta do momento triste e sombrio, Manoel de Moura fez uma promessa a Deus: sair de casa, acompanhado por um grupo de pessoas, entre os dias 1º e 6 de janeiro, durante sete anos seguidos, pedindo proteção para que o povo fosse livrado da peste e da guerra.
A iniciativa deu início ao grupo conhecido como O Santo Reis, que se transformou em tradição, que se mantém viva por gerações. Com o falecimento de Manoel Julião, filhos, netos e tataranetos mantiveram viva a Caravana.
Nomes como Manoel de Moura Filho, José de Moura, conhecido como Zezinho, Deodato de Moura, Arlindo Laport Solino, Manoelino José de Moura, o Maneco, e Francisco dos Santos, o Chichico – já falecidos, estão entre os que mantiveram viva a promessa. Nara Moreira, filha de Zezinho do Doce, segue, atualmente, cuidando dessa tradição.