Profissional marcou época em Vassouras e Miguel Pereira
Complicações de saúde após um Acidente Vascular Cerebral isquêmico levaram à morte na madrugada do sábado, dia 25, no Hospital Universitário de Vassouras, o jornaleiro aposentado Rubens da Penha Lage, 77 anos. Rubinho, como era mais conhecido, marcou época como jornaleiro em Vassouras entre os anos de 1978 e 2000. Acometido pelo AVC em 29 de junho, estava internado desde então na Unidade de Terapia Intensiva do HUV. Ele deixa dois filhos: o advogado vassourense Rubens Andrade, secretário-geral de Governo em Vassouras, e Anderson Lage, que substituiu o pai na banca de jornal de Miguel Pereira, onde Rubens atuou até a aposentadoria, em 2022, além de cinco netos.
Natural de Pequiá, pequeno distrito de Iúna, município localizado no sul do Espírito Santo, Rubens Penha Lage migrou para o Rio de Janeiro nos anos 1960. Aos 14 anos iniciou a carreira de jornaleiro em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Começou a atuar como jornaleiro e entregador. Quando chegou a Vassouras, em 1978, ao lado do irmão Renato, já era sócio da distribuidora de jornais e revistas responsável pela distribuição na cidade e em grande parte da Baixada Fluminense. Na cidade, foi referência e atuou em todas as bancas operadas pela distribuidora: a principal, hoje instalada no trecho da Avenida Expedicionário Osvaldo de Almeida Ramos conhecido como Broadway; nas rodoviárias Nova e Velha (como os vassourenses chamam os terminais rodoviários Hélio de Almeida Pinto e Maurício de Lacerda, respectivamente) e na praça do Madruga.
Em Vassouras, foram mais de vinte anos de atividade. O jornalista Marlos Elias de França lembra do profissionalismo e do carinho de Rubinho, como era carinhosamente chamado pelos clientes, pela TRIBUNA DO INTERIOR. “Chegamos a vender 900 exemplares em uma edição nos tempos em que Rubinho dirigia a banca. Ele tinha muito carinho pela Tribuna e sempre colocava o jornal em posição de destaque, além de oferecer para quem visitasse Vassouras”. A relação do profissional com o jornal foi tema do almanaque de 40 anos da TRIBUNA DO INTERIOR, impresso em 2024. “Esse almanaque ele carregava com ele para onde fosse”, lembra Rubens Andrade.
“É até difícil explicar para o jovem de hoje a importância de Rubinho para aquela Vassouras. Hoje o mundo está na palma da mão. Naquele tempo, a banca de jornais era mais que um lugar que nos trazia as notícias diárias. Era uma janela de Vassouras para o mundo. Era ali entre livros, revistas, jornais que Rubinho reinava. Conhecia o gosto de leitura de cada dos clientes que, mais que tudo, eram seus amigos. A gente pensa nele e lembra dos domingos de fila para as edições de O Globo ou do Jornal do Brasil, da Kombi chegando com os jornais do Rio e até de São Paulo. A banca de Vassouras era cosmopolita. E Rubinho se esforçava muito para manter esse nível de um lugar que tinha, naquele tempo, ares de ponto de encontro, de espaço formador de opinião, de distribuidor de cultura. Rubinho personificou isso”, comenta o jornalista João Henrique Barbosa.
Torcedor do Vasco da Gama, Rubens Penha Lage tinha 30 anos quando chegou a Vassouras. Separado de seu primeiro casamento, já era pai de Alex (já falecido) e Anderson. Na cidade, casou de novo e foi pai de Rubens Andrade, que cresceu no Mancusi herdando seu nome e apelido. Em 2000, Rubinho foi atuar em Miguel Pereira. Até 2022, quando se aposentou, foi responsável pelo atendimento na principal banca daquela cidade. Há três anos retornou a Vassouras. Em 29 de junho passou mal e foi internado no Hospital Universitário. Diagnosticado com um AVC isquêmico causado por uma endocardite infecciosa, não saiu mais. Morreu aos cinco minutos do sábado, dia 25. No final do dia já havia sido sepultado no Cemitério Nossa Senhora do Carmo, em Governador Portela. Para Rubens Andrade, ficam a saudade e o orgulho. “Meu pai foi um exemplo de homem honesto, íntegro e trabalhador. Ao longo da vida, conquistou muitos amigos pelo jeito simples, pela lealdade e pelo respeito com que sempre tratou as pessoas. O carinho que tenho recebido nesses dias mostra o quanto ele era querido. A saudade será eterna, e fica o imenso orgulho de ser seu filho”.