11:40 - 11 de agosto de 2026.

Caminhos do Vale do Café conecta juventude, pesqui...

Caminhos do Vale do Café conecta juventude, pesquisa e território em Vassouras

O Instituto Lima Barreto para a Mobilidade Social realiza, em Vassouras, nos dias 14 e 15 de agosto, o Caminhos do Vale do Café: Memórias que Resistem. A programação articula juventude, pesquisa e território para ressignificar o passado do Sul Fluminense.

A iniciativa parte das marcas deixadas pela escravidão no Vale do Café e questiona a memória oficial que, por muito tempo, romantizou os anos de opulência econômica e silenciou as trajetórias e formas de resistência da população negra que ergueu essa riqueza. Ao aproximar educação básica e universidade, o evento propõe discutir as permanências históricas do século XIX e seus impactos nas dinâmicas sociais e territoriais da região.

14 de agosto: uma imersão para alunos da rede pública

No dia 14 de agosto, das 9h às 15h, o Instituto Lima Barreto promove uma imersão prática para estudantes do programa História Presente. O evento coloca os jovens da rede pública no centro da narrativa para resgatar a memória negra do Sul Fluminense e questionar os apagamentos estruturais da região. A ação tensiona a narrativa histórica oficial de Vassouras e será dividida em três intervenções públicas criadas e guiadas pelos próprios alunos.

Oficina no Centro Cultural Cazuza: o espaço sediará a oficina artística “Resistir é Existir”, reunindo estandartes e máscaras criados pelos alunos para expressar a força e a resistência cultural.

Árvore de Memórias: os estudantes realizarão a leitura de testamentos do século XIX para resgatar nomes de pessoas escravizadas historicamente silenciadas. Esses nomes irão compor uma instalação artística na árvore do Centro Cultural Cazuza.

Circuito Histórico Formativo: os jovens serão guiados pela cidade em uma visita crítica pela Igreja Matriz, Praça Barão de Campo Belo, casarões históricos e estações. O objetivo é analisar as memórias negras, as permanências e os apagamentos na região.

15 de agosto: o território encontra a universidade

No dia seguinte, 15 de agosto, a Universidade de Vassouras recebe o seminário acadêmico Caminhos do Vale do Café – Memórias que Resistem. As questões mobilizadas pelos estudantes no território ganham continuidade em discussões interdisciplinares entre pesquisadores, professores e estudantes, sob as perspectivas da História Pública, da decolonialidade e da resistência cultural.

A programação acadêmica começa às 9h30, com boas-vindas de Hamilton Moss, da Universidade de Vassouras; John Schulz, do Instituto Lima Barreto; e Flávia Martins, da Revista História e Economia. Em seguida, Eduardo Schnoor, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), apresenta a palestra “Aguardando em Curral Falso: o papel do Vale do Paraíba na Independência”. Os debates continuam ao longo do dia, até as 16h, com a participação de pesquisadores e representantes de instituições como Luiz Fernando Saraiva e Rita Almico, da UFF; Tamires Silva, da UFRRJ; Pedro Carvalho de Mello, da ESALQ/USP; Patrícia Urruzola, do CEFET/RJ; Alexandre Ribeiro Neto, da UERJ/FEBF; Sonia Mattos, fundadora do Instituto Preservale; Ivan Mascarenhas, do IPHAN Médio Vale Paraíba; Cirom Alves, da Casa da Hera; e Roselene Martins, do Instituto Histórico e Geográfico de Vassouras.

História Presente e o impacto no Sul Fluminense

O História Presente, programa do Instituto Lima Barreto, promove formação cultural, cidadania e ampliação de perspectivas de futuro para estudantes da rede pública. Por meio de oficinas histórico-culturais, visitas a museus, universidades e espaços de memória e mentorias socioprofissionais, o programa trabalha temas como diversidade, memória, meio ambiente e projeto de futuro. Desde 2021, mais de 4 mil estudantes já foram impactados pela iniciativa.

O Caminhos do Vale do Café é o ápice do trabalho contínuo realizado pelo programa História Presente, que atua diretamente em escolas estaduais da região do Sul Fluminense. No ciclo atual, o programa atende a cerca de 330 alunos na região. As escolas atendidas são o CIEP 488 – Ezequiel Freire, o Colégio Estadual Baldomero Barbará, o Colégio Estadual Coronel Benjamin Guimarães e o Colégio Estadual Ministro Raul Fernandes.

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