Após receber mais de 60 mil visitantes com a exposição “Chegança”, o Museu de Vassouras inicia um novo ciclo de atividades com as exposições “Vozes do Vale” e “Sertões”. As mostras ficam em cartaz até 4 de abril, com entrada gratuita.
Distribuídas em quatro salas expositivas, as mostras propõem ao público uma experiência de imersão na história, na cultura e nas tradições do Vale do Café, em um ambiente pensado também para desacelerar e vivenciar diferentes formas de expressão artística e cultural.
Memórias contadas por moradores
A exposição “Vozes do Vale” reúne 18 fotografias acompanhadas de áudios e de uma paisagem sonora que percorre diferentes territórios da região. A instalação foi concebida para que os visitantes possam deitar ou simplesmente sentar enquanto escutam relatos de moradores de 12 cidades do Vale do Café.
As entrevistas foram realizadas ao longo de um ano pela equipe do Museu e reúnem histórias contadas por personagens que ajudam a preservar a memória e as tradições locais, entre eles rezadeiras, mestres de folia, integrantes de grupos de jongo, professores e médicos.
Os conteúdos em áudio podem ser acessados pelo Spotify e também integram um mapa interativo, permitindo ao visitante conhecer histórias e referências culturais relacionadas aos diferentes municípios da região.
Na sala seguinte, o público encontra obras de artistas contemporâneos e convidados, entre eles Luiz Erbini, José Fefe, Franz Post, Guignard e Minerva Coevas.
“Sertões” resgata técnicas e memórias do ciclo do café
A exposição “Sertões” apresenta paredes de pau a pique construídas em parceria com o Quilombo Kalunga, em Goiás, e o Quilombo São José da Serra, em Valença. A instalação estabelece uma relação entre técnicas tradicionais de construção e a história das edificações ligadas ao ciclo do café.
Em meio a um período marcado pelo avanço tecnológico, a exposição propõe um olhar para métodos construtivos tradicionais e para os conhecimentos transmitidos entre gerações.
O percurso pelo museu se completa com uma Sala de Experimentação, que oferece espaços destinados a oficinas de carimbo e uma biblioteca. A proposta é ampliar a participação do público e estimular novas formas de contato com o patrimônio cultural da região.
“Foi tudo pensado para que o público possa vir, conhecer e voltar para essa imersão no Vale do Café, suas riquezas e origens”, destacou Catarina Duncan, diretora artística do Museu.
Para Ronaldo César Coelho, presidente do Instituto Vassouras Cultural, o espaço também desempenha um papel estratégico na valorização e preservação do patrimônio regional.
“É um espaço de cultura, de repercussão, educação, de pertencimento, com oportunidades para preparar a população para candidatura na Unesco como patrimônio mundial material e imaterial”, afirmou.
