02:52 - 4 de março de 2026.

A árvore que mexeu com a imaginação do vassourense

A árvore que mexeu com a imaginação do vassourense

 em Vassouras

Mancha branca em árvore na Praça Barão de Campo Belo suscitou boatos e lendas no quente verão vassourense

Servidor da Prefeitura e um dos responsáveis pela manutenção da Praça Barão de Campo Belo, Denílson sentiu algo cair em sua cabeça em mais uma manhã de trabalho no cartão postal preferido dos vassourenses. Ainda pensou que fosse sujeira de passarinho, quando uma nova gota lhe fez notar que a substância era gelada. Era a senha para que Vassouras tivesse, nos primeiros meses de fevereiro, mais uma lenda urbana. A gota gelada caíra de um galho, quase todo branco, do Pau Ferro que dá sombra aos frequentadores na parte baixa da Praça e, a partir daí, uma série de boatos acerca do fenômeno – nem tão fenomenal assim – ganharam a Cidade.

Sensacionalismo de uns, ignorância de muitos e a curiosidade da maioria foram o combustível para que a “notícia” se espalhasse: uma árvore estaria produzindo gelo em pleno alto verão vassourense, com a temperatura se aproximando dos 37 graus diariamente. Servidores da Prefeitura, sabe se lá bem o porquê, resolveram cercar a árvore, aumentando a curiosidade popular. Durante todo o dia, centenas de pessoas visitam o Pau Ferro e discorriam teses sobre o “fenômeno”.

Houve quem enxergasse inspiração divina no fenômeno. Outros gaiatos já propagavam valores afrodisíacos às gotas geladas do Pau Ferro. Uma senhora chegou a dizer à uma emissora de TV – sim, a TV veio a Cidade “conferir” o fenômeno – que bebeu o líquido produzido pela árvore. “Era geladinho, como abrir a geladeira e tomar”. Um jardineiro experiente furou a onda. “Não tô vendo nada demais. A gente que lida diretamente com árvores há anos já viu muita coisa parecida. Não tem nada de extraordinário”, disse um ex-funcionário do Museu Casa da Hera. Montou em sua bicicleta e foi embora, sem chamar muita atenção. Tivesse ele uma explicação mais fantástica, quem sabe? O certo é que quem perdeu tempo para pesquisar sobre o assunto na internet notou que acontecimentos parecidos foram registrados no quente Rio Grande do Norte, por exemplo. Justiça seja feita, causando rebuliço parecido com o aqui gerado.

Diante das câmeras de TV, um técnico agropecuário subiu no galho e retirou a substância que manchava de branco o simpático Pau Ferro. E encontrou uma família de insetos. “O inseto produz esta gosma para se proteger de seus predadores”, disse o técnico. O material foi encaminhado à um laboratório da Universidade Severino Sombra. Lá vai ser definido se a gosma é produzida pelo inseto ou se seria uma seiva da própria árvore. O certo é que ninguém deve beber o líquido, que parece, mas não é água. Em março, Vassouras saberá exatamente o que aconteceu com o seu Pau Ferro. Em 2010, lendas urbanas não resistem a um olhar mais atento.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também