Prisões, investigações e impeachment atingiram praticamente todos os governadores fluminenses desde o fim dos anos 1990 e reforçam histórico de instabilidade no comando do estado
A política do Rio de Janeiro carrega, nas últimas três décadas, uma sequência de crises envolvendo os chefes do Executivo estadual. Desde o fim dos anos 1990, governadores que passaram pelo Palácio Guanabara enfrentaram investigações, prisões ou processos que resultaram em afastamento do cargo.
Um dos casos mais emblemáticos é o do ex-governador Sérgio Cabral, preso em 2016 durante a Operação Lava Jato sob acusação de liderar um esquema de corrupção envolvendo contratos públicos e pagamento de propinas. Cabral foi condenado em diversos processos por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.
Seu sucessor, Luiz Fernando Pezão, também foi preso quando ainda exercia o mandato, em novembro de 2018, durante uma operação da Polícia Federal que investigava o pagamento de propinas relacionadas a contratos do governo estadual.
Antes deles, o casal Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, que governou o estado entre 1999 e 2006, também enfrentou investigações e chegou a ser preso anos depois do período no poder em operações relacionadas a suspeitas de irregularidades eleitorais e administrativas.
Outro episódio que marcou a instabilidade política ocorreu com Wilson Witzel, eleito em 2018. Ele foi afastado do cargo em 2020 por decisão judicial durante investigações sobre contratos emergenciais na área da saúde durante a pandemia de Covid-19. No ano seguinte, teve o mandato cassado após processo de impeachment aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj).
Para especialistas, a sucessão de escândalos e disputas judiciais envolvendo governadores contribuiu para consolidar um ambiente político frequentemente marcado pela judicialização da política e pela fragilidade institucional.
Quais governadores do RJ enfrentaram prisões ou afastamentos
Anthony Garotinho (1999–2002)
Alvo de diversas investigações e preso anos depois do mandato em operações ligadas a suspeitas de corrupção eleitoral.
Rosinha Garotinho (2003–2006)
Também investigada e presa posteriormente em desdobramentos de investigações políticas.
Sérgio Cabral (2007–2014)
Preso em 2016 na Operação Lava Jato e condenado em diversos processos por corrupção e lavagem de dinheiro.
Luiz Fernando Pezão (2014–2018)
Preso em 2018 quando ainda era governador.
Wilson Witzel (2019–2021)
Afastado por decisão judicial em 2020 e cassado em 2021 após processo de impeachment.
