11:54 - 2 de fevereiro de 2026.

Provedora em exercício busca soluções para crise f...

Provedora em exercício busca soluções para crise financeira da Irmandade

 em Vassouras

Maria Thereza Mattoso do Carmo Wenke Motta atua na reorganização administrativa, renegociação de dívidas e recuperação de imóveis históricos deixados por Eufrásia Teixeira Leite

 

Desde julho do ano passado, a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Vassouras vive um momento decisivo. À frente da instituição após a destituição da antiga administradora, a provedora em exercício, Maria Thereza Mattoso do Carmo Wenke Motta, tem dedicado os dias a uma pequena força-tarefa para enfrentar a grave crise financeira herdada e buscar alternativas que garantam a sustentabilidade do patrimônio deixado por Eufrásia Teixeira Leite.

Segundo a provedora, anos de descaso com os bens da Irmandade resultaram em dívidas milionárias — cujos valores exatos ainda estão sendo levantados — e na deterioração severa de imóveis estratégicos, inviabilizando sua principal fonte de renda: a locação. A instituição depende basicamente do aluguel de três grandes propriedades: o Colégio Regina Coeli, o Hospital Eufrásia Teixeira Leite e o Espaço Joaquim Teixeira Leite.

Desses, apenas o Espaço Joaquim – antigo Senai – apresenta unidades em condições mais favoráveis para locação imediata, por se tratar de construção mais recentes. Ainda assim, o imóvel demanda reparos em prédios e sistemas, os quais já vêm sendo realizados. Já o Colégio Regina Coeli e o Hospital Eufrásia Teixeira Leite se encontram em situação crítica, tomados pelo mato e com sinais evidentes de deterioração, fruto de um longo período de abandono.

“O estado extremamente precário de dois dos nossos maiores imóveis tornou inviável a geração de receita. Por isso, nossa prioridade tem sido organizar e centralizar as execuções trabalhistas, além de viabilizar a retomada da locação desses bens”, ressaltou Maria Thereza.

No caso do Hospital Eufrásia Teixeira Leite, a situação é ainda mais grave. De acordo com a provedora, o imóvel foi devolvido à Irmandade em condições alarmantes, com a retirada do telhado, comprometendo seriamente a estrutura e acelerando o processo de deterioração. A unidade havia sido ocupada por um grupo que, segundo ela, não possuía plano de investimentos nem condições mínimas para gerir um equipamento daquela dimensão.

O contrato foi firmado com esse grupo pela gestão anterior, após a rejeição expressa pelo Conselho de Administração da Irmandade, que verificou a ausência de condições mínimas de gestão e pagamento.

Provocada a apresentar documentação e comprovações essenciais, nada foi feito. Assim, a atual gestão ajuizou ação judicial na qual foi determinada a suspensão das obras no imóvel e, ao final, a empresa se retirou. Segundo Maria Thereza, isso agravou ainda mais a situação da instituição.

O cenário, avalia a atual gestão, revela um nível de negligência incompatível com a importância histórica e social do legado de Eufrásia Teixeira Leite, cuja memória está diretamente ligada ao desenvolvimento educacional e assistencial de Vassouras.

 

Soluções imediatas

Mesmo diante de recursos escassos e com uma equipe administrativa reduzida, a atual provedora afirma que a prioridade é firmar parcerias que permitam que os bens da Irmandade voltem a cumprir seu papel social. Até a realização das eleições que irão determinar o novo provedor, a equipe montada por Maria Thereza segue tocando projetos de reestruturação administrativa.

A instituição informa já ter requerido à Justiça decisão resolvendo as poucas pendências de mérito no processo que determinou a suspensão das eleições, o que permitirá a realização das mesmas. A Irmandade requereu também a fiscalização das eleições pelo próprio Poder Judiciário, o que dará maior transparência ao pleito.

“Estamos estruturando a retomada de uma administração profissional da Irmandade, com transparência e governança, superando práticas personalistas do passado que são amplamente conhecidas na cidade”, afirmou a provedora, que já anunciou que pretende disputar a eleição.

No campo jurídico, uma das alternativas em estudo é a concessão de direitos de superfície, de forma remunerada, sobre áreas pertencentes à Irmandade que hoje não podem ser exploradas por falta de recursos para investimento. A proposta prevê que terceiros possam construir e explorar essas áreas por um período determinado, garantindo retorno financeiro à instituição. Ao final do prazo, as benfeitorias seriam incorporadas ao patrimônio da Irmandade.

Isso permitirá que as terras hoje sem utilização sejam mantidas na instituição, mas passem a gerar receitas.

A expectativa da atual gestão é que, com essas medidas, seja possível iniciar um processo gradual de recuperação financeira e patrimonial, preservando o legado histórico de Eufrásia Teixeira Leite e devolvendo à Irmandade o protagonismo social que marcou sua trajetória em Vassouras.

 

 

Foto: Willian Brito

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