População perde socorro após acidentes fatais e prejuízos dos veículos
A precariedade da BR-393, principal ligação rodoviária do Sul Fluminense, passou a mobilizar autoridades, empresários e representantes políticos da região. Uma ação civil pública protocolada na Justiça Federal e a realização de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, buscam pressionar o governo federal a adotar medidas emergenciais para recuperar a rodovia, considerada estratégica para o transporte de cargas e a integração entre estados.
Conhecida como Rodovia Lúcio Meira, a BR-393 é um corredor logístico importante para o escoamento da produção industrial e agrícola. No entanto, motoristas que utilizam o trecho que corta o Sul Fluminense relatam dificuldades constantes para trafegar pela estrada, citando buracos, desgaste do asfalto, sinalização precária e falta de manutenção.
A situação se agravou após junho de 2025, quando a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) declarou a caducidade da concessão da empresa K-Infra, responsável pela administração da rodovia até então, como a TRIBUNA noticiou. Desde então, a gestão da estrada passou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Com o fim da concessão, pedágios e balanças foram desativados, o que aumentou o fluxo de caminhões e acelerou o desgaste da pista.
Acidentes e mortes
Além dos problemas estruturais, a rodovia também tem sido palco de acidentes graves. Na noite de 7 de abril, o vassourense Leonardo Barbosa da Silva, empresário da cidade e figura muito querida pela população foi a nova vítima da BR após colidir frontalmente com uma carreta cegonha na altura do km 221. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o impacto foi fatal e Leonardo morreu ainda no local.
Casos semelhantes vêm sendo registrados ao longo dos últimos meses. Em setembro do ano passado, uma colisão entre um carro de passeio e uma carreta deixou dois mortos no km 206 da rodovia, também em Vassouras. As vítimas estavam no automóvel, que pegou fogo após a batida.
Prejuízos
A sequência de ocorrências reforça a preocupação de moradores, motoristas e transportadores que utilizam diariamente a BR-393. Usuários da estrada relatam prejuízos com danos em veículos e apontam o risco constante de acidentes, principalmente em trechos com pavimento deteriorado ou pouca visibilidade durante a noite e em períodos de chuva.
Outro ponto citado é a ausência de serviços que antes eram oferecidos pela concessionária, como socorro mecânico, atendimento a acidentes e apoio aos motoristas. Sem essa estrutura, parte dessas demandas passou a recair sobre prefeituras da região, gerando impacto financeiro para os municípios.
Prefeitura de Barra do Piraí
O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre) tem que apresentar um plano emergencial em até 72 horas (a partir de 10/04/2026) para recuperação da BR em Barra do Piraí. O prazo foi determinado pela Justiça Federal da cidade, a pedido de prefeitura, devido às más condições da via e alto risco de acidentes.
O descumprimento da decisão vai gerar multa diária de R$ 10 mil. A Justiça Federal determina ainda que o cronograma de obras deverá informar os pontos críticos da rodovia, as intervenções previstas em cada trecho, além das datas de início e conclusão das obras. Também será necessário detalhar os recursos humanos e materiais que serão utilizados.
Firjan
Paralelamente à medida judicial, o tema também será debatido no Congresso Nacional. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) participará de uma audiência pública marcada para o dia 14 de abril na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados. O encontro deverá reunir representantes do governo, parlamentares e entidades da sociedade civil para discutir alternativas para a BR-393, incluindo a possibilidade de uma nova concessão que garanta investimentos e manutenção permanente da estrada.
