09:50 - 27 de maio de 2024.

Claudio Guimarães, de estudante de Medicina a vice...

Claudio Guimarães, de estudante de Medicina a vice-presidente, o braço direito de Gustavo Amaral na Fusve

 em Vassouras

Na Fundação desde 1987, médico fala da trajetória em Vassouras e da responsabilidade com a gestão

Natural de Itaperuna, casado, duas filhas, apaixonado pelo Botafogo e pelos netos, Cláudio Medeiros Guimarães assumiu a vice-presidência da Fundação Educacional Severino Sombra em janeiro, indicado pelo presidente Gustavo Amaral, eleito por unanimidade na eleição convocada a partir da morte do engenheiro Marco Capute, em dezembro do ano passado.

 

Médico, Cláudio chegou a Vassouras nos anos 1980. Iniciou sua história na Fusve como estudante de Medicina. Nunca mais sairia. Da cidade e da Fundação. Da Fusve, faltou pouco. Alçado à condição de gestor do Hospital Universitário de Vassouras por Marco Capute, quase sucumbiu à pressão dos colegas cobrando salários atrasados. “Eu era cobrado até de forma agressiva. E eu nunca tinha passado por uma crise econômica na vida privada. Foi muito difícil. Minha mulher, minhas filhas, pediram. Cheguei a combinar um jantar. Disse a elas: de hoje não passa”. Passou. O empenho de Marco Capute em recuperar a Fundação o impediu. “Cadê que eu consegui sair? Ele nem da casa era, não estava quando o barco quase afundou e estava se empenhando para recuperar a Fundação. Ele não tinha obrigação nenhuma de estar ali, então cheguei em casa e nós jantamos sem eu cumprir a promessa”.

 

Marco Capute é um capítulo à parte na história de Cláudio na Fusve. Quando o engenheiro assumiu a presidência da Fundação, o convidou para fazer parte da administração. “Conheci o Capute ali. O Gustavo eu conhecia da cidade, de garoto, mas não tinha maiores contatos”. Ainda na gestão de Américo Carvalho, ele ocupou a direção do HUV. Quando Marco assumiu, em meio à maior crise econômica da Fundação, já estava fora da gestão, atuando apenas no corpo clínico. Por algum tempo, foi cético. Não acreditava na recuperação da Fusve. “Eu achava que iríamos quebrar, só não sabia o dia. Queria poder respirar mais um dia, via a falência como uma certeza”. Ele não aponta culpados pela situação. “Não tinha um culpado. Falhamos todos. Eu, meus colegas, os outros setores. A instituição inteira”. Aos poucos, tal qual um São Tomé, foi passando a crer. “Não preciso falar da inteligência do Capute. Mas ele era dono de uma inteligência fria. E aquela frieza dele dava um certo conforto para a gente. Ele não se abalava. A frieza dele era a segurança que ele transmitia para o grupo seguir em frente. A frieza dele diante de tanto problema me impressionou. E quando ele pegou o dinheiro dele para pagar o 13º salário? Ele dizia, depois eu recebo. Era um milhão de reais. Eu pensava: não vai ter depois…”

 

Como Capute, Cláudio Guimarães traça 2013 como o ano de virada da Fusve. Na época, o governo federal, então dirigido por Dilma Roussef, apresentou o PROSUS, um programa de refinanciamento de dívidas de hospitais filantrópicos com atendimento pelo Sistema Único de Saúde. “Marco dizia que foi coisa de Deus”, lembra. Com o programa, a Fundação conseguiu sanear seu calcanhar de Aquiles. Pelo acordo com o governo, a cada mês com os tributos pagos em dia, a Fusve quita outro mês devido. “Não tenho os números aqui, mas se ainda não quitamos tudo, estamos muito perto disso”. O hospital que dava prejuízo, hoje é superavitário. Naquele 2013, a gestão sonhava com um zero a zero. “Se empatasse já estava muito bom. O Marco foi muito firme em segurar o hospital. Muitos consultores sugeriram o fechamento. O olhar social do Marco, preocupado com a cidade, garantiu a sua continuidade e foi o hospital quem nos salvou”.

 

Com Marco Capute, Guimarães atuava na Superintendência de Saúde e Infraestrutura. Com Gustavo Amaral, a Superintendência de Saúde é incumbência do médico Marcelo Paiva, que já geria o HUV. Isso não afasta o atual vice-presidente do HUV. Ainda hoje é mais fácil encontrá-lo nas obras do novo Hospital Universitário que no prédio de vidro que abriga o Centro Administrativo. Ele gerencia de perto a obra. “Não adianta contratar uma empresa que não sabe o nosso perfil, não sabe o que é que a gente quer de um hospital”. E fala com entusiasmo do novo hospital, que terá de quatro a cinco vezes o tamanho do Centro de Convenções General Sombra. “A nossa intenção é fazer o melhor hospital do interior do estado. Quem sabe de todo o estado dentre os hospitais privados. Vai ter, no mínimo, quatro vezes o tamanho do Centro de Convenções. E vamos ter atendimento particular e SUS. Nosso hospital SUS será tão belo quanto o privado. Essa é uma preocupação desde sempre. As pessoas se impressionarão com a qualidade que a gente vai dar para o atendimento SUS. Nós vamos ter quinhentos leitos. Quatrocentos para o atendimento público, cem para o privado. Foi esse atendimento público que garantiu a sobrevivência do hospital. Qual a diferença do atendimento público para o privado? O quarto, a acomodação do quarto particular para quem quer privacidade, o acompanhante. É a única diferença. O medicamento é o mesmo, quem opera também. O que muda é a privacidade para quem pode pagar por ela. A gente precisa deste dinheiro também. Eu e Gustavo viemos da iniciativa privada. A gente sabe que o dinheiro é difícil”. No novo espaço, Cláudio Guimarães confia que serviços que ainda não são oferecidos em Vassouras passarão a sê-lo. “Não vou ficar enumerando, mas com uma vitrine dessa, a gente vai atrair todo mundo”.

 

Guimarães está otimista com a nova gestão. “Gostei muito do que o Gustavo falou na entrevista ao jornal. Não dá pra gente copiar o Capute. O Capute foi único. Então, a nossa receita vai ser otimizar, economizar um pouco. Sem precisar cortar como cortamos na crise. A gente fala muito em social, mas é social também você olhar para o seu colaborador. O que adiantaria eu dizer que atendi a duzentas pessoas e não conseguir pagar em dia o seu funcionário? Então a gente tem de olhar o social e arrecadar também”. O convívio de mais de dez anos com Gustavo Amaral lhe dá tranquilidade para apostar no sucesso da gestão. “O Gustavo é um cara muito inteligente, muito capaz. Eu convivo com ele. Ele tem a maneira dele agir. Não é igual ao Capute. Ninguém é igual a ninguém. O Marco era um cara da intuição, o Gustavo é de número, de conta. Ele está muito preparado. Estudou muito e teve um grande aprendizado aqui dentro”.

 

Cláudio fala, projeta o futuro, sem se esquecer do passado. “Eu vi a Fundação quebrar duas vezes. Quem viu isso, tem medo. Não quero passar por isso nunca mais”, diz, se referindo à crise que culminou com a eleição de Marco Capute e outra, na década de 1990, ainda com Severino Sombra na presidência. Indagado quando sofreu mais, ele lembra das agruras como integrante do Comitê Gestor de Capute. “Na época do general eu era só médico, não sabia das contas. A partir de 2012 eu estava na gestão, sabia de tudo, vi os números. E quem tem informação, sofre. Sofri muito”. Talvez venha deste tempo a fama de austero, sisudo. “Hoje se fala que eu sou um cara muito bravo, essa é uma casca que vem de 2012, de toda dificuldade que passamos aqui”. E é esse administrador austero que estará ao lado de Gustavo Amaral para gerir a Fusve nos próximos três anos.

Comentários

Uma resposta

  1. Estou muito feliz com a dobradinha Gustavo Amaral na Presidência e Cláudio Guimarães na Vice Presidência de tão nobre Instituição da qual meu esposo fez parte durante 40 anos! Vassouras só tem a ganhar com essa Gestão! Fica aqui meu voto de Sucesso e que Deus os Abençoe!

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