Segundo Plínio Lopes, ideia é aproximar ainda mais o público nos próximos anos
A encenação da Paixão de Cristo em Vassouras celebrou seus 10 anos na última Semana Santa. Segundo seu idealizador, a ideia para os próximos anos é aproximar ainda mais o público, seja o vassourense ou os turistas que frequentam a Cidade Histórica. “Nos próximos anos, queremos que o público esteja ainda mais presente, que o turista também se aproprie dessa Paixão e busque por Vassouras como uma terra Santa”, afirmou o ator e diretor Plínio Lopes, em entrevista exclusiva à TRIBUNA DO INTERIOR.
Na entrevista, Plínio lembra as origens da encenação, que foi projetada por ele como uma homenagem à sua avó, a advogada Edla Viana Marques, muito ligada à obra social da Igreja Católica, morta em 2004 durante a Festa de São Sebastião, no Grecco. O trabalho de Edla a levou a Câmara Municipal entre 1989 e 1993, quando exerceu um mandato parlamentar muito elogiado.
Plínio, que se diz completamente transformado a partir do envolvimento com o projeto, diz que a população conseguiu entender que a Paixão de Cristo “não é um projeto do Plínio Lopes, do Padre José Antônio, muito menos de uma igreja específica ou religião. Este projeto é de Deus, para Deus e é feito por Ele”, afirma.
Nascido no interior do Paraná, filho do vassourense Eugênio Lopes e da paranaense Leonilda Teodoro de Souza, a Dona Neiva, Plínio frequenta a cidade desde a infância e costuma classificar a Praça Barão de Campo Belo como a “mais linda do Brasil”. Quando concebeu o projeto, com o apoio da Igreja Católica e o envolvimento pessoal do padre José Antônio da Silva, logo pensou em ter a praça como cenário. “Ela começou dentro da igreja católica, em uma única apresentação. Depois passou a ser em dois dias e, graças a Deus, ganhamos a praça, cenário para onde ela foi idealizada e projetada. Atualmente, recebemos um público de cinco mil pessoas em cada dia de apresentação, lotando a praça mais linda do Brasil. Essa evolução é física e notória. Mas a evolução espiritual é imensurável”.
TRIBUNA DO INTERIOR — Plínio, este ano a encenação da Paixão de Cristo dirigida por você chegou aos 10 anos. De onde surgiu a ideia de encená-la? Como e com quem surgiu a ideia?
Plínio Lopes – Deus plantou em meu coração essa semente há 11 anos. Apesar de comemorarmos dez anos agora, em 2026, na verdade ela surgiu em 2015, quando eu estava em busca de homenagear minha mãe e minha avó. Eu já tinha a produtora e escola de atores Eu Genio´s, que levava o nome do meu pai e meu avô, e queria homenagear minha mãe, que ainda estava viva, e minha avó, por tudo que haviam feito por mim.
Minha avó foi vereadora em Vassouras e, além de uma carreira política honesta e inspiradora, ela teve muita importância dentro da igreja católica, servindo e contribuindo muito para as obras, recebendo inclusive uma homenagem: o nome dela em uma das salas na casa paroquial.
Portanto, a Paixão de Cristo nasce, dessa vontade de homenagear essas mulheres da minha vida. O padre José Antônio, na época, abraçou o projeto, investiu tempo e energia conosco e fez acontecer; mesmo que com poucos recursos financeiros, realizamos como foi possível; nos primeiros anos, dentro da igreja, apesar do projeto ter sido pensando desde o início para acontecer na praça. Na época, compartilhei com uma grande amiga, Bia Oliveira, a vontade de criarmos essa paixão, e ela foi outra também que, junto com outros trinta atores, abraçaram o projeto e fizeram acontecer. Portanto, são muitas pessoas envolvidas e responsáveis por este projeto chegar onde chegou. Mas, o grande criador mesmo e o responsável foi nosso pai Deus.
TRIBUNA DO INTERIOR – Algo em especial marcou a encenação deste ano?
Plínio Lopes – Este ano de 2026 foi muito peculiar. Tivemos muitos obstáculos, muitos desafios. O que nos marcou foi justamente o amor pelo nosso Deus, pela arte, por Vassouras, e a resiliência para contarmos a história mais linda da humanidade. Não desistimos e até a chuva torrencial caindo do início ao fim fez com que essa paixão fosse ainda mais especial. A chuva foi uma benção. Vimos o cuidado de Deus em absolutamente tudo, e seremos eternamente gratos.
TRIBUNA DO INTERIOR – Como a encenação se desenvolveu, como ela evoluiu durante este período?
Plínio Lopes – A Paixão de Cristo evoluiu muito. Ela começou dentro da igreja católica, em uma única apresentação. Depois passou a ser em dois dias e, graças a Deus, ganhamos a praça, cenário para onde ela foi idealizada e projetada. Atualmente, recebemos um público de cinco mil pessoas em cada dia de apresentação, lotando a praça mais linda do Brasil. Essa evolução é física e notória. Agora, se eu for falar da evolução espiritual, é imensurável. E glória a Deus por isso. Me sinto muito privilegiado por poder contar essa história e ser transformado por ela.
TRIBUNA DO INTERIOR – Sua avó, Dra. Edla, era uma conhecida liderança da Igreja Católica. Chegou a ser eleita vereadora muito por conta da sua atuação no interior da igreja. Você foi criado em uma casa religiosa? Como era a sua relação com a religião antes da Paixão de Cristo? E como ela evoluiu a partir do seu envolvimento com a encenação?
Plínio Lopes — Sim. Minha avó Edla era como uma mãe pra mim, ela tinha inclusive a nossa (minha e do meu irmão) guarda. Por sermos filhos de uma empregada doméstica e um pai alcoolista, ela achava que não teríamos futuro, e para nos resguardar até mesmo em relação à educação e ao caminho a seguirmos, ela pegou nossa guarda e dava suporte para nossa criação.
Hoje, eu e meu irmão damos vida a Jesus. Acho que a resposta está aí, né? Fruto de tudo que ela e minha mãe plantaram! Eu fui nascido em um berço cristão, meus avós, tios e hoje, primos, sempre foram pastores, e minha avó sempre muito católica, ativa dentro da igreja. Então, sempre frequentei igrejas evangélicas e católicas.
Fui batizado na igreja católica, e hoje sou batizado e frequento o Projeto Vida (igreja evangélica). A gente não foi criado em uma casa religiosa, minha mãe e minha avó sempre tiveram muita intimidade com Deus, e ambas apaixonadas por Jesus; isso me fascinava e fez querer conhecer mais sobre este homem. Minha relação antes de criar a Paixão era de crer na obra da Cruz, ter fé em Deus e dar graça por absolutamente tudo.
Hoje eu sigo não apenas crendo na obra, mas com sede de contar essa história, minha fé aumentou ainda mais. Vivo na dependência de Deus, e sigo dando graças a Deus por absolutamente tudo (inclusive pelos obstáculos e desafios) toda honra e toda glória é dada a Ele, o único que é digno. A minha evolução também foi notória… antes, eu fazia Pilatos, apesar de ter idealizado, ser o roteirista e o diretor, não dava vida a Jesus.
Eu recebi o chamado mesmo, aos 33 anos de idade, e quando o espetáculo foi para a praça, eu assumi este papel tão importante e de uma responsabilidade absurda. Hoje, eu vivo para a obra, para ganhar vidas para o reino dos céus. Entreguei não apenas este projeto mas, todos os outros, minha vida, para Deus.
Evoluí muito!
TRIBUNA DO INTERIOR — De alguma maneira o seu envolvimento religioso agregou ou até produziu mudanças no jeito de você enxergar e desenvolver a encenação nestes anos?
Plínio Lopes – Sem dúvidas. Quando eu recebi o chamado de Deus para dar vida a Jesus, eu não me sentia capaz. Mas, Deus me capacitou. Não romantizando a pandemia, mas Deus me deu 2 anos para estudar, debruçar em cima dos 4 evangelhos e realmente aprofundar para viver verdadeiramente este Jesus. Sem dúvida agregou muito, e não digo apenas no religioso, mas no espiritual.
Tive muitas conversas com Padre José Antônio, café, almoço, além de visitas dele para falar com todo elenco. Além de pastores e líderes que também iam às preparações trazer visões sobre cada personagem, responder dúvidas dos atores para uma construção mais fidedigna possível das escrituras sagradas.
TRIBUNA DO INTERIOR — Qual seria a principal diferença entre o Plínio de antes de interpretar Jesus e o Plínio depois dessa interpretação?
Plínio Lopes — Existe o Plínio Lopes antes de Cristo e o Plínio Lopes depois de Cristo. Para mim, a principal diferença está no amor ao próximo, no perdão genuíno e na vontade de servir e seguir realmente os passos de Jesus. Procuro me parecer com Ele, não apenas fisicamente, mas diariamente em suas falas e atitudes.
Ontem mesmo eu fui ao mercado, e a mulher do caixa perguntou: Você é ator, né, moço? Falei, sim. Ela: Você é da Record. Falei: Não! Aí ela: Você é a cara de Jesus. Aí eu falei que eu fazia a Paixão de Cristo, em Vassouras. Ela disse que havia tentado se matar, que a vida dela não fazia mais sentido, se eu poderia orar por ela. Então, a diferença está aí! Minha paixão é por vidas, hoje!
TRIBUNA DO INTERIOR – Ao longo destes anos, que pessoas ou instituições foram parceiras do projeto?
Plínio Lopes — Graças a Deus são tantos, que não vou me arriscar em citar todos, pois se não a matéria seria só dessas pessoas envolvidas e destes parceiros. Porém, preciso falar que, sem dúvida alguma, um grande homem de Deus abraçou este projeto, abriu as portas e confiou, lá atrás, num menino sonhador e artista que não tinha nada ainda: o Padre José Antônio. Ele eu o tenho como um grande amigo e idealizador junto comigo e com Bia Oliveira. Ele colocou dinheiro do bolso para realizarmos a primeira edição. Sou e serei eternamente grato.
E a Bia Oliveira foi a diretora que embarcou comigo nesse propósito. Além dessas figuras importantes, temos a Dra. Kelly, Ronaldo Silveira, Bernardo Guimarães, Ana Lucia Furtado, Bispo Fabiano, Pastora Fabiana, Pastor Diogo, Daniel Cardoso … e não posso deixar de agradecer também a Dona Helena, da fazenda Santa Maria, que no ano de 2023, doou todo seu acervo da Paixão de Cristo dela, para nossa Paixão de Cristo. Através desse ato de amor, mais pessoas puderam participar e de certa forma, cumprir o seu chamado. Nossos amigos, irmão, empresários diferenciados, Jaime e Stela, do Hotel Fazenda Santa Bárbara, que representam todos os demais empresários, não só apoiando e incentivando a arte e cultura, mas também vestindo a camisa e embarcando nessa missão conosco. Como eu falei, são muitas pessoas. Não vou me arriscar!
Temos o prefeito Severino Dias que foi o primeiro a apoiar e incentivar, e a nossa atual prefeita Rosi Silva. A principal hoje, é meu braço direito, esquerdo, Viviane Lopes, minha mulher. Ela quem segura firme na minha mão, e enfrenta todas as batalhas (espirituais) comigo. E claro, a minha avó Edla Viana Marques e a minha mãe, Dona Neiva.
Enfim… São muitas pessoas! E as que fizeram e fazem parte deste projeto, direta ou indiretamente, sabem do que estou falando. Elas não têm ego, nem orgulho, muito menos vaidade. Lerão essa matéria e saberão que estão em meu coração e que serei eternamente grato. Mas, toda honra e glória é dada a Ele.
TRIBUNA DO INTERIOR — Como você vê a participação popular e o reconhecimento ao trabalho desenvolvido e o que espera que aconteça com a encenação nos próximos anos?
Plínio Lopes: O público é convidado a viver essa experiência em Cristo Jesus conosco. Eles contam essa história junto com cada personagem.
Graças a Deus, o munícipe e o público vassourense, entendeu que este projeto não é do Plínio Lopes, nem do Padre José Antônio, muito menos de uma igreja específica ou religião. Este projeto é de Deus, para Deus e é feito por Ele.
Portanto o reconhecimento é verdadeiro e genuíno, não é em vão que recebemos uma moção de aplausos na Câmara de Vereadores, por indicação do vereador Pastor Michael e, a Paixão de Cristo Vassouras é reconhecida como patrimônio cultural imaterial do estado do Rio de Janeiro. Uma lei que nos respalda na ALERJ, trazendo Jesus como protagonista em uma data que deveria reverberar todos os dias em nossas vidas.
Nos próximos anos, queremos que o público esteja ainda mais presente, que o turista também se aproprie dessa Paixão, e busque por Vassouras, como uma terra Santa, onde elas serão curadas em nome de Jesus, e terão milagres acontecendo em suas vidas.
Porque hoje, isso já é realidade… e está só começando.
