Trajetória e legados do jornalista Paulo Branco são revisitados em Em Confidência, livro de Paulo Branco Filho lançado no Centro Cultural Cazuza
Jornalista combativo, preso pela ditadura militar em 1968, com passagens por importantes veículos, como a Tribuna da Imprensa, Última Hora, Bandeirantes e TV Educativa do Rio de Janeiro, Paulo Branco, falecido em outubro de 2004, vítima de um aneurisma cerebral, tem sua trajetória revisitada na obra Em Confidência As memórias de um jornalista de coragem. O livro é um reencontro póstumo entre o autor, Paulo Branco Filho, e o pai. Lançado no Rio em julho, o livro ganhou um lançamento em Vassouras, terra natal de Paulo Branco, no último final de semana. E levou diversos contemporâneos do jornalista ao Centro Cultural Cazuza na noite do sábado, 12.
Filho do médico Mario Branco, Paulo Cezar Branco nasceu em Vassouras em 1948. Na cidade, editou o jornal Tempos, que circulou entre o final dos anos 1970 e 1983. No livro, Paulo Branco Filho conta que mesmo o jornal, que privilegiava a cobertura local, sofria com a censura imposta pelos militares. Como o jornal era impresso na gráfica da Tribuna da Imprensa, o icônico jornal carioca criado por Carlos Lacerda, os censores também avaliavam o que seria lido pelos vassourenses.
Na publicação, Paulo Branco Filho fala do fardo que todo filho enfrenta ao se comparar ao pai. “Filhos se comparam aos pais, e isso é um fardo. Felizes são aqueles que driblam essa questão e fazem outra coisa ou a mesma, mas de maneira distinta. Foi o que tentei fazer. De início, corri daqueles caminhos e fui, literalmente, lutar. Lutar contra a sombra e a favor de uma trilha própria, que, no meu caso, iniciou-se nos ringues. Essa escolha, não há como negar, foi uma oposição brutal”, conta o autor, que hoje é professor de artes marciais e, como atleta amador, foi campeão intermunicipal, estadual, brasileiro e sul-americano de K1.
Um aneurisma cerebral interrompeu a vida do jornalista aos 56 anos, evitando a reconciliação de pai e filho. “O tempo de reconciliação acabou sendo anulado pelo destino, Uma covardia. Por sinal, a morte precoce de uma figura com tanto para ensinar deveria ser proibida. Diante do impossível, restou-me o tempo de amadurecimento e o entendimento para conviver melhor com a dor. Esse tempo nos afinou. Com o tempo, me harmonizei com as lembranças, o gosto pela leitura e escrita. Em muitos lugares, descobri que tenho muito dele”.
O lançamento em Vassouras foi marcado por uma noite agradável no Centro Cultural Cazuza. Uma bela oportunidade para que uma geração de vassourenses pudesse se lembrar de um tempo em que Vassouras, apesar de distante do apogeu econômico do ciclo do café, parecia especialista em criar nomes de relevância nacional. Como Lucinha Araújo, que fez questão de prestigiar o lançamento, como a secretária municipal de Cultura Ângela Maria da Silva. Na plateia, contemporâneos de Paulo Branco, como os empresários Hélio de Almeida Pinto Filho, George Feldhaus e Lula Tambasco, além do médico Jorge Wenke, e do presidente da Academia de Letras de Vassouras, engenheiro Hamilton Moss.
Em Confidência surge como uma reconciliação póstuma de um filho com um pai, mas é fundamental para se conhecer mais sobre o jornalismo, o Brasil em um período nebuloso de sua história e uma Vassouras que talvez não exista mais. Lançado pela Artêra Editorial, a obra pode ser comprada pela internet, através da Amazon.
