Na segunda-feira de Carnaval, Unidos do Goiabal vai para a avenida homenagear Dona Dinéa, histórica figura do bloco patiense
Em um de seus maiores sucessos, o gênio do samba, ícone da Estação Primeira de Mangueira, Nelson Cavaquinho vaticinou: “Me dê as flores em vida/o carinho, a mão amiga/para aliviar meus ais”. Quando eu me chamar saudade, parceria de Nelson com Guilherme de Brito, foi lançada em 1973 e gravada por nomes como Beth Carvalho e Nelson Gonçalves. O samba lembra a importância de se valorizar as pessoas enquanto elas ainda estão vivas em detrimento às homenagens póstumas. O bloco carnavalesco Unidos do Goiabal vai para a avenida na segunda-feira de Carnaval em Paty do Alferes, a mais de 110 quilômetros do Morro de Mangueira, honrar mais uma vez a máxima de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Umas das duas remanescentes do grupo que fundou o bloco em 1979, referência da Velha Guarda da agremiação, Dinéa da Silva Costa, 80 anos, será enredo do Goiabal.
Moradora do bairro Lameirão, onde fica a quadra do Unidos do Goiabal há 61 anos, Dona Dinéa desfila desde os anos 1970. Já foi baiana e passista. Hoje, aos 80 anos, mantém o pique. Tanto que ainda trabalha, como cuidadora. Mãe de sete filhos, avó de onze netos, Dinéa tem seis bisnetos. Semana passada, durante o ensaio do bloco, conversou com a reportagem da TRIBUNA DO INTERIOR. “Essa é a principal homenagem da minha vida. Estou vivendo um dos momentos mais felizes da minha história”, afirma.
Para contar o enredo criado por José Renato, o bloco desfilará às 21 horas da segunda-feira, dia 16, com mais de 300 componentes, trinta deles na bateria de mestre Pedro. Dudu e Júlio Maria terão a responsabilidade de interpretar o samba, composto pelo presidente Anselmo Costa, neto de Dinéa. A direção do bloco conta ainda com Selminho, Alex e Diogo.
Não é de hoje que o bloco adota enredos biográficos. Sempre na lógica dos mestres mangueirenses, com os homenageados recebendo “flores em vida”. Foi assim com nomes como Luiz do Honório, Bibi do Leite, Florentino do Lameirão e Moacyr Baiano. Com Dinéa Costa, o bloco pela primeira vez homenageia uma figura feminina.
O Unidos do Goiabal mostra que, para além da folia, um bloco de Carnaval pode ser importante ferramenta para exaltar a história de seu próprio povo.
Vida longa à Dona Dinéa, ao samba e ao Unidos de Goiabal.