Nas últimas eleições municipais, espremido entre Rosi Silva e Kiko Brando, Víctor Setaro correu por fora e recebeu cerca de 13 % dos votos válidos. Para muitos, o então vereador, candidato pelo pequenino AGIR, saiu da campanha maior que entrou. Dois anos depois, o advogado de 36 anos, servidor concursado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, está de novo nas ruas, desta vez como candidato a deputado estadual. Para ele, a candidatura nasce a partir de uma percepção que teve ainda na campanha municipal. “A eleição mostrou uma coisa muito importante: existe uma parcela enorme da população que quer uma política diferente, baseada em coragem, presença e compromisso com as pessoas”.
Na entrevista concedida à TRIBUNA DO INTERIOR, Setaro fala de sua estratégia eleitoral, da parceria política com a deputada federal Rosangela Gomes e do apoio que tem recebido em suas andanças por Vassouras e outras cidades da região.
TRIBUNA DO INTERIOR — Nas últimas eleições municipais você foi a terceira força em uma campanha polarizada. Para muitos, o resultado, apesar da derrota eleitoral, o deixou maior politicamente. Foi a partir deste resultado que surgiu a ideia de disputar uma vaga na Alerj?
Victor Setaro — A eleição mostrou uma coisa muito importante: existe uma parcela enorme da população que quer uma política diferente, baseada em coragem, presença e compromisso com as pessoas. Depois daquela campanha, eu continuei fazendo exatamente o que sempre fiz: andando pelas cidades, conversando com comerciantes, produtores rurais, servidores públicos, jovens e famílias. E a frase que eu mais ouvi foi: “Você precisa representar nossa região. ” Foi desse pedido que nasceu essa candidatura. Percebi que muitos dos problemas que as pessoas me apresentavam já não dependiam apenas do município. Falavam de estradas estaduais, hospitais regionais, segurança pública e desenvolvimento do interior. Entendi que era hora de ampliar essa luta e levar a voz da nossa região para a Assembleia Legislativa.
Essa candidatura não nasceu de um projeto pessoal. Ela nasceu do sentimento de quem acredita que o interior merece ser ouvido.
TRIBUNA DO INTERIOR – Que forças políticas em Vassouras e na região apoiam Victor Setaro deputado estadual?
Victor Setaro — Essa campanha está sendo construída de baixo para cima. Recebemos o apoio de lideranças comunitárias, ex-vereadores, representantes do comércio, produtores rurais, servidores públicos e pessoas que talvez nunca tenham participado de uma campanha, mas decidiram caminhar conosco porque acreditam que o interior precisa voltar a ter protagonismo.
Também construímos uma parceria muito importante com a deputada federal Rosangela Gomes. Ela tem uma trajetória consolidada no Congresso Nacional, experiência, diálogo e capacidade de articulação em Brasília. Eu conheço de perto a realidade das cidades do interior porque estou presente nelas todos os dias.
Essa dobrada une duas forças complementares: uma representante que abre portas em Brasília e um deputado estadual que estará no Rio cobrando, fiscalizando e defendendo os interesses da nossa região. A população não quer políticos trabalhando isoladamente. Quer representantes que consigam construir soluções juntos. É exatamente isso que estamos propondo.
TRIBUNA DO INTERIOR — Você tem focado sua atuação em críticas à gestão da prefeita Rosi Silva. Pretende intensificar isso durante a campanha? E o voto dos eleitores de fora de Vassouras, como pretende disputar?
Victor Setaro — Eu nunca fiz política baseada em ataques. Sempre procurei transformar a reclamação das pessoas em cobrança por solução. Quando uma mãe reclama da demora na saúde, quando um comerciante fala das dificuldades para empreender ou quando um morador denuncia uma estrada abandonada, eu entendo que aquilo não pertence a um partido político. Pertence à população. É essa forma de atuar que quero levar para toda a região.
A campanha será construída ouvindo as pessoas de cada cidade, entendendo suas necessidades e defendendo essas pautas no Estado. Não pretendo disputar votos falando de adversários. Pretendo conquistar a confiança das pessoas mostrando que estarei presente antes, durante e depois da eleição.
TRIBUNA DO INTERIOR – Você acredita que possa efetivamente disputar uma vaga na Assembleia ou a candidatura prevê o seu fortalecimento político no município de Vassouras?
Victor Setaro — Quem entra em uma eleição pensando apenas em se fortalecer já começa derrotado. Ninguém pede o voto das pessoas para um projeto que não acredita ser possível. Eu estou nessa disputa porque acredito, de verdade, que temos condições de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Existe um desconhecimento muito grande sobre como funciona a eleição proporcional. Muita gente compara apenas o tamanho dos partidos, mas essa conta não é tão simples. O AGIR tem uma realidade diferente dos grandes partidos. Enquanto algumas legendas precisam fazer chapas com candidatos que ultrapassam 50 ou 60 mil votos para conquistar vagas, partidos menores podem eleger representantes com uma votação significativamente menor, desde que atinjam o desempenho necessário dentro da própria chapa.
O AGIR, por exemplo, tem uma deputada estadual, ex-vereadora de Valença, que teve uma votação próxima de 12 mil votos. Isso mostra que existe um caminho real para quem constrói uma candidatura consistente e competitiva dentro do partido. Mas, acima dos números, existe algo mais importante: existe uma região inteira pedindo representação.
Eu não estou disputando essa eleição para preparar a próxima. Estou disputando porque acredito que o interior do Rio de Janeiro pode, sim, eleger alguém comprometido com suas cidades, presente no dia a dia e capaz de construir resultados. Essa é a nossa missão, e é para isso que estamos trabalhando todos os dias.
TRIBUNA DO INTERIOR — Que propostas pretende defender na campanha eleitoral?
Victor Setaro — Minha principal proposta é devolver protagonismo ao interior do Rio de Janeiro.
Quero defender investimentos nas rodovias estaduais, fortalecer a saúde regional, ampliar oportunidades para os jovens, incentivar o turismo, apoiar quem produz no campo, fortalecer o comércio local e valorizar os servidores públicos.
Mas existe um compromisso que está acima de todos os outros: representar as pessoas. Quero ser um deputado presente, que continua andando pelas cidades, ouvindo moradores, acompanhando problemas e prestando contas do trabalho realizado.
O mandato precisa estar onde a população está.
TRIBUNA DO INTERIOR — O AGIR definiu o apoio à campanha de Douglas Ruas ao Governo do Estado. Você espera participar ativamente da campanha dele ao governo do estado?
Victor Setaro — O partido tomou essa decisão e respeito essa construção.
Minha prioridade continuará sendo percorrer as cidades da nossa região, ouvir as pessoas e apresentar nossas propostas. Ao mesmo tempo, acredito que a boa política é feita por meio de diálogo e parcerias.
É por isso que considero tão importante a dobrada com a deputada federal Rosangela Gomes. Ela fortalece nossa representação em Brasília, enquanto eu quero fortalecer a representação do interior na Assembleia Legislativa.
Quando diferentes mandatos trabalham juntos, quem ganha é a população.
Esse é o modelo de política em que acredito: menos disputa por espaço e mais união para entregar resultados.
TRIBUNA DO INTERIOR — Como você se posicionará nas eleições presidenciais de outubro?
Victor Setaro — A eleição presidencial é extremamente importante para o país e respeito o direito de cada cidadão fazer sua escolha.
Neste momento, minha responsabilidade é apresentar um projeto para o estado do Rio de Janeiro. As pessoas que encontro nas ruas raramente me perguntam sobre Brasília. Elas perguntam como melhorar a saúde, recuperar as estradas, gerar empregos, fortalecer a segurança e fazer o interior voltar a ser prioridade. É para essas perguntas que quero dedicar minha energia. Independentemente de quem esteja no Governo Federal ou no Governo do Estado, meu compromisso será sempre o mesmo: defender os interesses da nossa região, buscar recursos, construir parcerias e cobrar resultados. Quem me conhece sabe que nunca fiz política olhando para partidos. Sempre fiz política olhando para as pessoas. É assim que pretendo continuar.