11:49 - 20 de fevereiro de 2026.

O carnaval do pagode

O carnaval do pagode

 em Cultura

Blocos perdem espaço e shows de grupos populares atraem grande público

 

O Carnaval 2026 reiterou uma tendência observada nos últimos anos. Os shows com grupos populares atraem cada vez mais foliões, em detrimento dos blocos, que em anos passados arrastavam uma multidão pelas ruas da cidade. As escolas de samba e os blocos de enredo, que por anos foram a principal atração do Reinado de Momo em Vassouras mais uma vez não desfilaram. Os blocos de empolgação, por sua vez, podem até não ser os campeões de audiência, mas seguem indo para a rua. Resistem, fazendo a alegria de um público fiel – ainda que menos numeroso que no passado.

Primeira grande noite do Carnaval, a sexta-feira marcou, mais uma vez, a tradição vista há tantas e tantas gerações: o Bloco das Piranhas, com os homens usando e abusando das fantasias femininas. O Verde e Amarelo mais uma vez teve a honra de acompanhar as piranhas. Na sexta, o destaque no Espaço Wílson Guedes Pinto ficou por conta do Carrossel de Emoções, grupo carioca que toca música pop e funk dos anos 90 em ritmo de folia e costuma empolgar o público.

Antes estrela absoluta da festa, o samba foi o destaque do show de sábado, que mais uma vez levou um grande público à Broadway. O show dos Juremeiros foi onde o folião vassourense – e os turistas que decidiram passar o Carnaval por aqui – teve acesso ao bom e velho samba. Antes, rolou o pagode do grupo barrense Of Samba, do bairro Oficina Velha. Entre os blocos, desfilaram o Calça Arriada, o Grilo Falante e o Nação Rubro-Negra.

O Cabeça de Porco, que tradicionalmente anima a folia do vassourense no domingo de Carnaval, mais uma vez contou com um público fiel. Mas é impossível não notar que o bloco já teve aparições mais protagonistas. Este ano, a bateria não conseguiu acompanhar todo o trajeto do bloco. O público seguiu mesmo assim, mas o brilho não foi o mesmo. Na base do passinho coreografado, o Cria das Antigas reviveu os bailes do Fluminense Futebol Clube dos anos 1980 e 90 nas ruas do Centro e arrastou um bom número de foliões. No Espaço Wílson Guedes Pinto teve baile infantil e Kim DJ, além dos shows dos vassourenses do PMPO e o pagodinho romântico do grupo Disfarce.

 

Na segunda, os blocos Vila Velha, Bloco Nosso e Maratomba animaram os foliões à tarde, enquanto o Esqueleto desfilou à noite. Na Broadway, show com os vassourenses do Efikácia e a atração mais popular da programação em 2026: o cantor Suel com seu pagode meloso.

Na terça-feira, a folia começou cedo. Mérito do Já que você não vai eu vou, que concentra às 8 horas, na Residência. Pela tarde, o bloco infantil Mi leva mamãe atraiu os futuros foliões. O Caçarola do Roliço enfrentou problemas com o carro de som e quase não conseguiu sair da concentração, na Otávio Gomes. No Espaço Wílson Guedes Pinto, a banda Axerê tocou muito axé, samba e pagode, antes do show do cantor Gamadinho. Como o próprio apelido explica, Gamadinho maltratou os corações apaixonados com muito pagode romântico.

Como a própria vida, que muda o tempo todo, o Carnaval assume novas roupagens e, como era impensável anos atrás, privilegia até novos ritmos. De todo o modo, o Carnaval de 2026 teve o mérito de apresentar um público superior à folia de 2025 e contar com uma festa organizada e segura no seu principal palco, o Espaço Cultural Wílson Guedes Pinto, na Broadway.

 

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