A construção de um muro com mais de quatro quilômetros de extensão pela MRS Logística vem causando preocupação e mobilização de moradores de quatro bairros de Vassouras. Famílias que vivem no Ipiranga, Itakamosi, Demétrio Ribeiro e Barão de Vassouras questionam a obra erguida ao longo da linha férrea e apontam impactos urbanos, ambientais, paisagísticos e sociais.
A intervenção faz parte de um conjunto de obras previstas como contrapartida para a renovação da concessão ferroviária da empresa no Sudeste. No entanto, moradores alegam que o projeto estaria desrespeitando normas técnicas de mobilidade urbana ao reduzir espaços destinados às calçadas e canaletas para escoamento de água.
Outra reclamação recorrente diz respeito à altura do muro. Segundo relatos da população, a estrutura compromete a iluminação natural e altera a paisagem tradicional dos bairros. Moradores afirmam que a construção bloqueia a visão da Serra da Concórdia e do Rio Paraíba do Sul, considerados símbolos afetivos e parte do patrimônio imaterial das comunidades locais.
Também há críticas em relação ao fechamento de acessos utilizados por moradores até uma mina d’água potável, além da sensação de insegurança provocada pelas áreas escuras criadas atrás do muro.
No bairro Itakamosi, as queixas se concentram principalmente nos impactos paisagísticos e históricos. Moradores afirmam que a obra alterou significativamente o entorno da praça local e comprometeu a valorização visual da região.
Preocupação com aumento da criminalidade
Em abaixo-assinado organizado pela comunidade, moradores demonstram preocupação com a criação de trechos isolados e desertos entre os bairros Ipiranga e Itakamosi. Segundo eles, a nova configuração urbana pode favorecer ocorrências de assaltos e até casos de violência sexual.
Outra preocupação envolve a possibilidade de pichações no muro, principalmente com inscrições associadas a facções criminosas, o que poderia ampliar a sensação de insegurança e prejudicar a imagem dos bairros.
Moradores apontam desvalorização imobiliária
Além dos impactos urbanos e sociais, moradores afirmam que imóveis localizados nos bairros afetados já começam a sofrer desvalorização. Proprietários relatam dificuldades para venda e locação devido à alteração estética das ruas e à percepção negativa associada à estrutura construída pela concessionária.
Pedido de transparência e mudanças no projeto
Entre as reivindicações encaminhadas à empresa estão a divulgação pública das normas técnicas e estudos utilizados como base para o projeto, apontados pelos moradores como de difícil acesso.
A população também sugere alterações no modelo da obra, como a construção do muro mais próximo à linha férrea e mais distante das vias públicas, além da substituição parcial da estrutura por cercamentos com telas vazadas, permitindo maior visibilidade entre os dois lados das comunidades.
Reunião com a prefeita
Representantes das comunidades afetadas se reuniram na terça-feira, dia 26, com a prefeita Rosi Silva para pedir apoio do município na discussão sobre a obra. Durante o encontro, a chefe do Executivo Municipal se comprometeu a encaminhar o assunto para avaliação da Secretaria de Patrimônio Público.
Participaram da reunião os moradores Mayara da Silva de Paula e Rogério Moraes, do bairro Demétrio Ribeiro, Leonardo Adriano, do Ipiranga, além do advogado Marcelo Martins. O grupo segue promovendo encontros com moradores das localidades afetadas para discutir os impactos da construção e organizar as próximas ações, incluindo a entrega do abaixo-assinado ao Ministério Público.
