18:09 - 23 de maio de 2024.

Culto Ecumênico marcou celebração dos 182 anos de ...

Culto Ecumênico marcou celebração dos 182 anos de morte de Manoel Congo

 Um culto ecumênico organizado pela Secretaria Municipal de Cultura e a apresentação do Jongo Caxambu Renascer marcaram, na segunda-feira, dia 6, a celebração dos 182 anos de morte do líder negro Manoel Congo, condenado à forca em 1839 por liderar, no ano anterior, uma das maiores rebeliões de escravizados no século XIX. Uma lei estadual declarou Manoel Congo – e sua companheira de levante, Mariana Crioula – herói do Estado do Rio de Janeiro. Em Vassouras, a vice-prefeita Rosi Farias, enquanto vereadora, conseguiu aprovar a lei que instituiu o 6 de setembro como o Dia Municipal em Memória de Manoel Congo.

Durante o culto, que contou com a participação do padre José Antônio e pastores de denominações evangélicas, Rosi lembrou a motivação para apresentar o projeto de lei. ““Eu enquanto estive vereadora fiz questão de fazer com que essa data fosse celebrada de alguma forma. A história deve ser sempre lembrada, é assim que construímos o nosso patrimônio material e imaterial”, afirmou. Ex-deputada estadual responsável por apresentar a lei que transformou Manoel Congo em herói do estado do Rio de Janeiro, Inês Pandeló falou sobra a importância de se divulgar a luta dos escravizados da região. “Quando eu conheci esta história entendi que era preciso que a população se apropriasse dela, que soubesse que aqui na região aconteceu uma revolta exigindo liberdade. Foi por isso que transformamos Manoel Congo e Mariana Crioula em heróis do Rio de Janeiro. De lá para cá tenho notado que cada vez mais gente se debruça sobre este tema”, afirmou a ex-parlamentar.
A secretária de Cultura, Ângela Maria, falou sobre a celebração. “A luta de Manuel Congo e de tantos outros escravizados, nos mostra a importância de lutar pela nossa liberdade, pelos nossos sonhos e pelo que acreditamos”, disse. A Revolta de Manuel Congo é tida como um exemplo da resistência ao trabalho escravo e luta pela liberdade. Congo foi processado e condenado à morte na forca pelo crime de insurreição, sendo executado em 6 de setembro de 1839.
O ponto alto da celebração foi a apresentação do Jongo Caxambu Renascer, liderado por Cláudia Mamede. Criado no início da década passada por Cláudia e seu irmão mais velho, o grupo resgatou uma prática corrente entre os escravizados e seus descendentes em Vassouras e adormecida por décadas. Uma homenagem simples, mas emocionante para quem ousou lutar por liberdade e pagou com a própria vida por ela. Após a apresentação, uma roda de conversa entre os presentes, como a turismóloga Andréia PIT, mostrou que a luta de Manoel e Mariana segue presente. Na luta diária contra a intolerância religiosa, o racismo e a desigualdade racial. Muita coisa já mudou, mas muita coisa ainda precisa ser superada. O grupo debateu a importância de ações afirmativas e políticas públicas para a superação do racismo.

Comentários

Uma resposta

  1. É ridícula uma festividade, para homenagear um negro como Manuel Congo, ter o título de encontro ecumênico quando só é citado na matéria a presença de cristãos católicos e evangélicos. Onde estão os verdadeiros representantes do povo negro e de sua religiosidade e cultura? Infelizmente, continuamos a luta contra a intolerância religiosa e o monopólio cristão. Infelizmente repugnante, vergonhoso e hipócrita

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *