14:13 - 24 de maio de 2024.

População de Mendes teme isolamento e faz campanha...

População de Mendes teme isolamento e faz campanha por volta do Trem Barrinha

 em Região

Cidade se une pela reconstrução após maior chuva que se tem notícia e destruição da serra que liga o município à região metropolitana

 

Mendes ainda busca levantar a cabeça após sofrer com a maior chuva já registrada no município, na noite da sexta-feira, 23 de fevereiro. Quase um mês depois ainda é impossível não pensar naquelas horas aterrorizantes. A noite foi marcada por uma tragédia, a morte da menina Juliana Adão, de seis anos, após um deslizamento de terra no bairro Grotão. Foram nada menos que 166,8 milímetros de chuva em apenas 24 horas. A Defesa Civil registrou aproximadamente 600 ocorrências. A cidade sofreu danos em todos os bairros. E a principal ligação da cidade com o Rio de Janeiro, a serra entre Engenheiro Paulo de Frontin e Paracambi, foi praticamente destruída, prejudicando o ir e vir de moradores de Mendes e região.

Temendo o isolamento, a população resolveu se mobilizar para pedir o retorno do trem de passageiros Barrinha para funcionar como opção à serra interditada. O prefeito Jorge Henrique organizou um gabinete de crise e tem liderado os esforços de resposta da cidade desde o primeiro momento. “Estamos enfrentando uma situação de extrema emergência em nossa cidade. A precipitação pluviométrica excepcional causou danos significativos em todos os nossos bairros, afetando diretamente a vida de nossa população. Desde o primeiro momento, montamos um gabinete de crise e estamos trabalhando incansavelmente para reduzir os impactos e buscar recursos para a recuperação de Mendes”, afirma o prefeito.

No primeiro momento, o desafio foi o abastecimento de água, comprometido pela chuva intensa. Com uma intervenção rápida, a cidade conseguiu disponibilizar cinco caminhões-pipa, quatro fornecidos pelo governo estadual e um pela Defesa Civil estadual. Um caminhão Vac-All foi disponibilizado pelo governo estadual para auxiliar na limpeza dos bueiros, reduzindo os riscos de alagamentos futuros. Mais de 200 caçambas de terra foram removidas das ruas, garantindo a desobstrução das vias. Cerca de 650 famílias foram atendidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social. A Prefeitura montou um abrigo no Centro Municipal de Cultura Cineasta Creso Pereira, no Centro, para receber desabrigados e desalojados.

Para tentar voltar à normalidade, Mendes enfrenta outro grande problema: a interdição do trânsito na serra entre Engenheiro Paulo de Frontin e Paracambi. Nas redes sociais, imagens de drones mostram uma serra arrasada. Sem a estrada, a região toda perde. Mendes e Engenheiro Paulo de Frontin sofrem ainda mais. A ligação entre os dois municípios está impedida. Além disso, mendenses e frontinenses têm mais dificuldade para acessar o Rio e a região metropolitana. Trabalhadores que moram em um município e trabalham em outro enfrentam dificuldades diárias. O comércio sofre com a diminuição no movimento e a dificuldade de ser abastecido. Para minimizar o sofrimento, a população tem se mobilizado para exigir o retorno do trem de passageiros que ligava Barra do Piraí a Japeri, na Baixada Fluminense.

O trem circulou até 1996, quando um acidente levou à interrupção da linha. Com a privatização da ferrovia, o trecho está sob controle da MRS Logística, que atua apenas com o transporte de carga. A volta do trem de passageiros poderia solucionar o problema de muita gente que precisa fazer o trajeto Mendes-Baixada Fluminense. Linhas de ônibus foram criadas ligando a cidade a Japeri, mas o tempo necessário para o trajeto e o preço cobrado pela passagem tornam a alternativa inviável. A passagem até Japeri custa 27 reais. O mendense pagava menos de 10 reais para chegar a Japeri.

Até o dia 15 de março, mais de 4 mil e 500 pessoas já haviam assinado o abaixo-assinado exigindo o retorno do Barrinha (https://www.change. org/p/exija-a -reintrodu% C3%A7%C3%A3o -dotrem-de- passageirosbarrinha ). Para quem não se lembra, Barrinha é o apelido do trem de passageiros que saia da estação de Barra do Piraí, passando por Mendes e Paulo de Frontin antes de chegar a Japeri, onde os passageiros podiam fazer a baldeação para chegar, de maneira rápida e barata até a Central do Brasil, no Centro do Rio.

Desde 1996 muita gente sonha com o retorno do trem. Mas nestes quase 28 anos, nunca a região precisou tanto. Hoje, a volta do trem pode diminuir bastante o isolamento de mendenses e frontinenses. Resta saber se o drama de tanta gente pode sensibilizar as autoridades.

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