00:03 - 29 de maio de 2024.

Coluna Escrivaninha de Cedro

Coluna Escrivaninha de Cedro

Pequena trégua para não morrer de tédio e medo, porque a guerra mata

 

Provisoriamente não cantaremos o amor,

que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.

Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços

(Carlos Drummond de Andrade)

 

O fragmento acima é do poema “Congresso Internacional do Medo”, de Sentimento do mundo, (1940), do poeta de Itabira. Quando escrito, o medo se assenhorava do mundo, com a Segunda Guerra Mundial, iniciada no ano anterior.

Passados oitenta e três anos da publicação do texto o mundo continua a viver os inúmeros conflitos, as guerras sem fim, de que somente o olhar poético é capaz de dizer. Dos sofrimentos por que passam os que sofrem guerras só sabem proferir os que as vivem e os poetas. Àqueles, pela dor, estes, pela sensibilidade.

Enquanto isso, de seus gabinetes, os poderosos decretam as guerras a que não vão. De suas salas matam concidadãos e desafetos. Edifícios, ruas, escolas, creches, ambiente de trabalho, mesquitas, sinagogas, igrejas de quaisquer confissões são os alvos em que pessoas são agredidas, mortas, mutiladas. Civis que não têm, propriamente, a ver com conflitos são, impiedosamente, os que sofrem e, disso, decorrem perdas irreparáveis à humanidade.

Infelizmente, desde o último sábado, 07/10, temos assistido aos horrores que acometem o Oriente Médio, não bastasse o que presenciamos há quase dois anos entre Rússia e Ucrânia. Havemos de alertar aos que, lamentavelmente, erguem a bandeira de Israel, como se lá houvesse toda a razão, que em guerras morrem pessoas. Vidas tem preço?

Desde o recente ocorrido, parte considerável do mundo clama pela Palestina, porque há uma injustiça que dura mais de setenta anos. O que se deseja é a igual autonomia política da Palestina como Israel vive a sua.

Havemos de lembrar que sionistas massacram palestinos, principalmente, desde finais da primeira metade do século XX. Por seu turno, palestinos se defendem. É seu direito. Importante também trazer à memória que sionistas e o Hamas não representam, própria e respectivamente, seus povos, que são as vítimas, e, seguramente, não concordam – a maioria – com o que tem havido.

Uma indagação: por que clamar só por Israel em detrimento da Palestina, que luta por justiça, por suas terras, sua dignidade, sua história e sua liberdade?

Por uma Palestina Livre e soberana. Que o Estado de Israel continue Livre e soberano, como é desde 1948, porém, sem a opressão a seus vizinhos e irmãos. Não ao terrorismo do Hamas. Sim, ao povo Palestino. Não ao terrorismo sionista de Benjamin Netanyahu. Sim a Israel e à difícil paz.

Lembremo-nos: numa guerra nunca haverá vencedores. Não sejamos Pilatos quanto a Israel nem romanos quanto à Palestina.

O mundo necessita de paz para que não cantemos o medo e possamos nos abraçar um dia, embora, por enquanto, somente o sonho seja a realidade.

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